Mas veio um: o L. era um veterano naval que escolhia os navais para dar trote. Pra mim, ele queria algo realmente inovador: "Calouro pega essa camuflagem e te vira!" - isso, brandindo um galho meio esquálido. Eu, que estava conversando com um veterano, meu colega de ginásio e colegial, também naval, até me animei para ajudar o L. a cumprir seu papel de rei dos chatos.
Mas aí meu colega veterano interrompeu: "Deixa o meu amigo quieto e vai brincar noutro lugar. Por que V. não vai se meter com um intendente para provar que naval é mesmo macho!" Eu ainda quis interceder pelo L., mas ele já tinha desistido.
Aí veio o primeiro serviço na Ilha. Eram seis turmas, três do primeiro e três do segundo ano, e a cada seis dias ficava um grupo de serviço, mesclando os dois anos e as três armas. Todo mundo reclamava amargamente de ficar de serviço uma noite por semana na Ilha, sem praticamente nada para fazer. Mas, no fundo, todo mundo, ou quase todo mundo, gostava de vários aspectos do serviço, a quebra da rotina, a conversa jogada fora - na verdade no mar - até altas horas, com o ruído das marolas batendo no costado do cais e, o melhor de tudo, a volta para casa no dia seguinte tinha outro valor.
E havia os safos. Evidentemente, o L. era um deles. Todo mundo, depois de algum tempo, conhecia o caminho das pedras para atravessar o pedaço de baía do cais do Ministério da Marinha até a Ilha das Enxadas. Era uma opção conhecida e tolerada, para os atrasados, tomar um yole no cais e tentar chegar a tempo. Alguns preferiam o cais do CIAW, de onde podiam tentar passar desapercebidos e não perder pontos por indisciplina.
Mas L. estava entre os mais safos, os que contratavam um yole para buscá-los na Ilha à noite. Depois fiquei sabendo que não havia dia de serviço em que o L. deixasse de baixar à terra e regressar de yole, na chamada calada da noite.
Na minha primeira noite de serviço, minha única preocupação era a de não ser escorbutado - lambuzado de pasta de dente durante o sono, o trote mais chato que se pode imaginar. E o candidato a escorbutador mor, quem era? O próprio L., rei dos chatos, que estava de serviço de polícia, em ótima posição para humilhar os calouros. Quando eu soube que ele tinha baixado à terra, em vez de simplesmente ficar aliviado, eu, calouro de primeira viagem, escorbutei um veterano.
(continua)
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